Agência aprova propostas avaliadas em 400 milhões

A Agência de Apoio ao Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) aprovou, desde Julho, 42 propostas de investimento, avaliadas em mais de 400 milhões de dólares, revelou ao Jornal de Angola o administrador daqueles serviços Lello Francisco.

As propostas, adiantou, juntam-se a cinco mil outras, aprovadas durante a gestão das extintas Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), Agência para Promoção de Investimento e Exportações de Angola (APIEX) e Unidades Técnicas de Apoio ao Investimento Privado UTAIP.
Lello Francisco apontou como o “mais abrangente” entre as propostas aprovadas pela AIPEX – uma referência aos efeitos multiplicadores nos domínios da criação de emprego e rendimentos -,  um projecto agrícola para produção de milho e soja em Malanje, cifrado em 30 milhões de dólares.
A operação consiste sobretudo na produção de gritz, matéria-prima para o fabrico de cerveja quando se deseja um corpo mais leve sem alterar a cor da bebida e dá os primeiros resultados dentro dos próximos três anos.
Outro, é o de modernização da Vidrul, em Luanda, em que são empregues mais de 20 milhões de dólares na substituição dos actuais fornos e na produção de recipientes de vidro para bebidas alcoólicas, refrigerantes e outros produtos.
Conta-se também um projecto para construção, por 50 milhões de dólares, de um parque industrial no Bengo, especializado na produção de vasilhame em cerâmica e vidro para diversas utilidades.
Lello Francisco, que administra a área de Avaliação de Propostas de Investimento, Estudos e Acompanhamento de Projectos da AIPEX, garantiu que as condições para o arranque destes projectos estão “totalmente criadas” e, no conjunto, resultam na oferta de três mil postos de trabalho.
Estes projectos, acrescentou, têm o traço comum de serem financiados pelos próprios investidores com recurso ao crédito bancário e de terem o potencial de reduzir as importações dos produtos a que se dedicam.
O administrador notou que um dos critérios para a aprovação de propostas de investimento, é o dos investidores provarem ter capacidade financeira para suportar os projectos, apesar de que a nova Lei de Investimento Privado não define nenhum valor como premissa para investir no país.
Advertiu, entretanto, contra a “falsa ideia” de que, quando se aprova uma proposta de investimento, a infra-estrutura fica imediatamente disponível para operar.  “Isso não funciona dessa maneira: quando aprovamos uma proposta de investimento, não significa que vai ser obrigatoriamente implementada”, disse.
“Algumas propostas podem ser aprovadas e não vir a ser implementadas por diversas razões, como o não financiamento da última hora, conflitos de interesse que terminam na separação dos sócios, falta de terra para implantação e outros problemas que podem surgir à última hora”, esclareceu.
O responsável manifestou preocupação por a maior parte dos investidores tender a  investir em Luanda, em detrimento de outros pontos do país, até mesmo para produções em que nos recursos não são abundantes nesta região, como é o caso de uma fábrica de lacticínios na Zona Económica Especial, Luanda-Bengo, no qual são investidos cerca de 50 milhões de dólares.

 AIPEX apresenta-se como um novo interlocutor dos investidores

A AIPEX, criada em Março de 2018, substitui a Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), as Unidades Técnicas de Apoio ao Investimento Privado (UTAIP) e a Agência para Promoção de Investimento e Exportações de Angola (APIEX), instituídas depois da extinção da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), em 2015.
Lello Francisco considera a AIPEX o interlocutor privilegiado do investidor em todas as fases do processo de investimento, estabelecendo uma articulação institucional baseada no acompanhamento das empresas com propostas registadas e na criação das condições administrativas para a execução.
Entre as dificuldades que AIPEX enfrenta, o administrador ressaltou a falta de recursos humanos de qualidade e recursos financeiros, para que a instituição possa deslocar técnicos para acompanhar a execução dos projectos aprovados. “Neste momento temos cerca de 115 funcionários, mas necessitamos de 260”, sublinhou.
Apesar das dificuldades,  a AIPEX está a desenvolver várias acções, com destaque para a instituição do programa de Promoção e Captação de Investimento Privado (PROCIP), para cuja aprovação o Executivo já se manifestou disponível.
O PROCIP define cinco objectivos estratégicos visando a promoção e captação de investimento e a valorização de Angola como destino de investimento directo estrangeiro.
Com base no programa, estão a ser identificados países e empresas com potencial e com actividades nos sectores prioritários para o Governo, a agricultura, agro-indústria, indústria transformadora e pescas, para citar alguns.

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