Bié acolhe acto central do Dia do Herói Nacional

O Cuíto vai acolher o acto central do Dia do Herói Nacional que hoje se celebra, um feriado que homenageia o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto

O acto central do Dia do Herói Nacional, que se celebra hoje em todo o país, vai decorrer no Cuíto, capital da província do Bié, sendo presidido pelo vice-Presidente, Bornito de Sousa.

Assinalado com dia feriado, em homenagem ao primeiro Presidente, António Agostinho Neto (1975/79), que foi quem leu a proclamação da independência em 11 de Novembro de 1975, as celebrações estendem-se a todo o país, com actividades de índole política, cultural, recreativa e desportiva.

As celebrações principais do 17 de Setembro deste ano, no Cuíto (antiga Silva Porto durante o regime colonial português), coincidem com a visita oficial a Angola do primeiro-ministro de Portugal, na segunda e na terça-feira. Para assinalar o dia, António Costa vai depositar na terça-feira de manhã uma coroa de flores no Memorial Agostinho Neto, em Luanda.
Para o centenário do nascimento de Agostinho Neto, em 2022, o Governo angolano já criou uma comissão para programar as celebrações.

O primeiro Presidente de Angola nasceu  em Setembro de 1922 em Kaxicane, freguesia de S. José, conselho de Icolo e Bengo, Distrito de Luanda, filho de Agostinho Neto, catequista de Missão americana em Luanda, sendo mais tarde pastor e professor nos Dembos, e de Maria d Silva Neto, professora.

Após completar o 7º ano no Liceu Salvador Correia, de Luanda, rumou a Portugal, primeiro para Coimbra e depois para Lisboa, para estudar Medicina. Em Portugal cedo se ligou à política, sendo de salientar a sua acção na antiga Casa dos Estudantes do Império e a fundação, em Coimbra, com Lúcio Lara e Orlando de Albuquerque, da revista Momento, na qual colaborou. É preso pela PIDE, polícia política do regime colonial, em Lisboa, quando recolhia assinaturas para a conferência Mundial da Paz de Estocolmo ficando encarcerado durante três meses. Também em Lisboa, Agostinho Neto, em parceria com Amilcar Cabral, Mário de Andrade, Marcelino dos Santos e Francisco José Tenreiro fundou, clandestinamente, o Centro de Estudos Africanos, que tinha finalidades culturais e políticas orientadas para a afirmação da nacionalidade africana.

Em 1956 circula uma petição internacional, subscrito por intelectuais como Aragon, Simone de Beauvoir, François Mariac, Jean-Paul Sartre e o poeta cubano Nicolás Guillén para que Agostinho Neto, então encarcerado pela polícia política, seja libertado. Quando o MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola é fundado, a 10 de Dezembro de 1956 , a partir da fusão de vários movimentos patrióticos, Agostinho Neto encontrava-se preso. É solto em Julho de 1957 e a 27 de Outubro do ano seguinte é licenciado em medicina pela Universidade de Lisboa e no mesmo dia casa com Maria Eugenia Neto.

A 22 de Dezembro de 1959, acompanhado da mulher e do filho Mário Jorge, de tenra idade, deixa Lisboa regressando a Luanda, onde abre um consultório médico. Entretanto, em 29 de Março de 1959 haviam ocorrido prisões maciças de nacionalistas em Luanda. Agostinho neto assume a liderança do MPLA, em território angolano e, em 1960, é eleito Presidente Honorário do movimento.

A 8 de Junho de 1960 é preso em Luanda. As manifestações de solidariedade diante do seu consultório médico e na sua aldeia são esmagadas pela polícia. Transita para cadeia do Algarve em Portugal, sendo, pouco depois, deportado para o arquipélago de Cabo Verde, ficando instalado na Vila de Ponta do Sol, ilha de Santo Antão. Transita então para Santiago até Outubro de 1962.
A 4 de Fevereiro de 1961 o MPLA desencadeara a luta armada, com assalto as cadeias de Luanda, a que seguiu uma forte repressão por parte do regime colonial.

Face à forte pressão internacional, Neto sai da prisão em Março de 1963, ficando, no entanto, com residência fixa na capital portuguesa.Em Junho de 1963 evade-se de Portugal com a sua mulher Maria Eugenia Neto e os filhos, Mário Jorge e Irene Alexandra, chegando a Léopoldville (Kinshasa), onde o MPLA tinha a sua sede Exterior.
Durante a Conferência Nacional do Movimento eleito presidente do MPLAEleito presidente do MPLA .
1963 – O MPLA instala-se em Brazaville em consequência da sua expulsão do Congo (R. do Zaire) que passou a dar o apoio total a FNLA. Nos anos que se seguem  ó MPLA  abre uma frente em Cabinda – a Segunda Região politica – Militar e uma nova frente no Leste de Angola – a Terceira Região.

Na sequência do golpe militar que depõe o regime colonial em Portugal em 25 de Abril de 1974, Agostinho Neto regressa a 4 de Fevereiro de 1975 a Luanda. Participa posteriormente no encontro de Alvor, em Portugal, onde é acordado estabelecer um “governo de transição” que inclui o MPLA, Portugal, FNLA e UNITA.

Face às divisões internas Agostinho Neto  apela à mobilização geral do povo para se opor à invasão do pais por forças estrangeiras, pelo Norte e pelo Sul, que procuram impedir o MPLA de proclamar a independência de Angola. Esta acontece a 11 de Novembro de 1975, tornando-se Agostinho Neto o seu primeiro Presidente.

Embora a República Popular de Angola seja reconhecida por mais de uma centena de países, ´é invadida pelo exército sul-africano, que é expulso do país a 27 de Março de 1976.

A 10 de Dezembro de 1977 é criado, sob a égide de Agostinho Neto, o MPLA – Partido do Trabalho.

Agostinho Neto morreu em Moscovo 10 de Setembro de 1979 .

 

 

 

 

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