Cluster português do calçado investe 94 milhões de euros

A indústria portuguesa de calçado viu aprovados até Junho 94,4 milhões de euros em projectos de investimento no âmbito do Portugal 2020, traduzindo o “empenho” na preparação de uma “nova vaga de crescimento”, avançou hoje a associação sectorial.

Segundo adiantou à agência Lusa fonte oficial da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), os 94,4 milhões de euros de investimento aprovados ao abrigo do quadro comunitário que vigora entre 2014 e 2020 dizem respeito a projectos apresentados por 273 empresas de calçado, responsáveis por 13 mil trabalhadores e por vendas de 1.100 milhões de euros, cerca de metade do total da produção do ‘cluster’.

Do montante global aprovado, 53 milhões de euros dizem respeito a Feiras e Marketing, 25 milhões de euros referem-se a Equipamentos e Edifícios e 8,2 milhões de euros foram canalizados para Investigação & Desenvolvimento .

Neste momento, os investimentos direcionados ao projecto FOOTure 4.0 (apostado em “capacitar a indústria com conceitos e tecnologias da indústria 4.0”) têm uma quota de 30,3 milhões de euros do total de 94,4 milhões de euros, sendo que o eixo ‘Fabrico Inteligente’ tem até agora um investimento global aprovado de 16,2 milhões de euros.

“Estes investimentos estão em linha com o nosso plano estratégico”, sustenta o presidente da APICCAPS, Luís Onofre, salientando que são uma “prova inequívoca de que o sector do calçado em Portugal está fortemente empenhado em preparar uma nova vaga de crescimento”.

Designado ‘FOOTure 2020’, o plano estratégico do sector do calçado previa que a intervenção das empresas portuguesas se centrasse em três eixos estratégicos: ‘Internacionalizar e Comunicar’, ‘Inovar’ e ‘Qualificar e Rejuvenescer’.

De acordo com a associação, distribuindo os investimentos realizados verifica-se que o eixo ‘Internacionalizar e Comunicar’ representa 57,4% dos investimentos das empresas, num total de 54,3 milhões de euros, seguindo-se os eixos ‘Inovação’ (com 34,2%, equivalente a 32,3 milhões de euros) e ‘Qualificar e Rejuvenescer’ (com 8,4% dos investimentos ou oito milhões de euros).

Para o director-geral do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), “a aposta na inovação tem evoluído de forma adequada e de acordo com os parâmetros sugeridos pelos especialistas”.

“Em termos práticos, a inovação eficiente, geradora de valor, tem de cobrir três parâmetros fundamentais: criatividade, conhecimento e ‘marketing'”, ou seja, “é necessário associar o ‘design’ com as funcionalidades e o ‘marketing’ dos produtos”, considera Leandro de Melo.

Na sua opinião, é precisamente isto que o ‘cluster’ português do calçado tem feito e continua a fazer: “Conceber novas colecções, com moda e ‘design’, e apresentá-las nas principais feiras mundiais”, ao mesmo tempo que “investe em ‘marketing’ e comunicação junto dos mercados alvo e dos nichos mais receptivos à aquisição do calçado português”.

De acordo com o director-geral do CTCP, o sector tem vindo ainda a reforçar “os investimentos na melhoria da organização industrial e na optimização dos processos fabris, garantindo que Portugal continua a ser uma indústria de excelência de nível mundial”.

“Não é surpresa que a generalidade das empresas participe activamente em feiras internacionais e em acções de ‘marketing’ dirigidas aos mercados externos (57% do investimento), nem surpreende que um número significativo de empresas invista em novos equipamentos e tecnologias fabris para melhorar a competitividade e aumentar a flexibilidade (34% do investimento total)”, considera.

Para Leandro de Melo, é também “relevante que as principais empresas produtoras de novos materiais e os fabricantes de bens de equipamento para o ‘cluster’ se associem a universidades e centros de investigação e a empresas de calçado, formando consórcios alargados responsáveis pela execução de projectos de investigação e desenvolvimento sectoriais”.

Segundo os dados do Gabinete de Estudos da APICCAPS, no final de 2017 existiam em Portugal 1.526 empresas de calçado (mais 280, ou 22,4%, do que em 2010) que empregavam 40.080 trabalhadores (mais 26,2% face a 2010) e exportaram 1.965 milhões de euros, correspondentes a mais de 83,2 milhões de pares.

Artigos relacionados

DESTAQUE OPINIÃO

OS TROCOS MAIS SUJOS QUE A ELITE “DOS SANTOS” DEIXOU PARA ANGOLA

Actualmente falar de Angola no contexto político, económico e social, tornaram-se “cláusulas” cada vez mais desconfortantes atendendo a porção de pancadas a que este povo é submetido constantemente e que no fim do dia não sabe onde mais se segurar, uma vez que a policia não está na rua para oferecer chocolates nem rebuçados!

Ler mais »

© All rights reserved

Made with ❤ by rotasweb.com