Cofundador do WhatsApp revela os bastidores da venda ao Facebook

Brian Acton, cofundador do aplicativo, falou das divergências com a empresa de Mark Zuckerberg, agora a braços com uma falha colossal de privacidade

Brian Acton é um dos cofundadores do WhatsApp, em conjunto com Jan Koum. Fora da empresa, Acton concedeu uma entrevista à revista Forbes na qual conta a história por detrás da venda ao Facebook. Em 2014, a companhia de Mark Zuckerberg pagou 22 mil milhões de dólares pelo aplicativo, que, desde aquela época, mantinha o foco na qualidade do serviço de troca de mensagens e desejava oferecer comunicação segura, criptografada, aos utilizadores.
Durante a negociação com Zuckerberg, Acton conta que o CEO do Facebook prometeu não cobrar pelo serviço durante cinco anos e apoiou a ideia da troca de mensagens segura ao ponto de não ser possível a interceptação nem por terceiros, nem pela própria empresa – apenas o destinatário e remetente teriam acesso às conversas nos seus respectivos smartphones.
Acton, porém, deixou a companhia no final do ano passado por divergências sobre o modelo de negócio. Propôs a cobrança de uma pequena taxa a utilizadores que enviam muitas mensagens, oferecendo um elevado número de mensagens, enquanto o Facebook procurava formas de analisar dados de mensagens sem quebrar a criptografia do aplicativo para oferecer publicidade personalizada, como faz no Facebook. A ideia seria oferecer ferramentas corporativas para que empresas pudessem falar com utilizadores do WhatsApp–e, sendo oferecidas igualmente como um serviço ferramentas de análise de dados. Seriam mostrados anúncios no Status, o campo de imagens que desaparecem em 24h do WhatsApp, bem parecido com o que acontece no Instagram Stories actualmente.
Tanto Acton quanto Koum tinham uma cláusula contratual que lhes permitia sair da empresa com as suas acções se o Facebook começasse a implementar iniciativas de cobrança do serviço de mensagens sem os seus respectivos consentimentos. Ambos sempre foram contra a exibição de anúncios no WhatsApp e a escolha pareceu clara para Acton. Quando surgiu a divergência sobre a cobrança da app, o cofundador procurou Zuckerberg para deixar a empresa e receber a sua parte. No entanto, o argumento para negar as acções a Acton foi de que as ferramentas de cobrança ainda não tinham sido implementadas. Acton não contestou e deixou a empresa mesmo assim.

A decisão de deixar a companhia custou-lhe 850 milhões de dólares.
Em uma das decisões que o desagradou, o Facebook relacionou o número de celular das contas do WhatsApp com contas dos utilizadores da rede social Facebook.
Com a afectação de 50 milhões de dólares ao aplicativo Signal, que se foca na privacidade dos utilizadores, Acton tenta recriar o WhatsApp na sua forma mais pura, sem ter a influência de uma empresa como o Facebook que deseja monetarizar o produto com anúncios. O modelo de negócios da fundação de Acton com o Signal ainda está em construção, mas pode vir a parecer-se com o da Wikipedia, que vive de doações.
Koum deixou o WhatsApp meses depois da saída de Acton. Esta semana, os dois cofundadores do Instagram também saíram da companhia, comprada pelo Facebook em 2012, por mil milhões de dólares. Assim, nenhum dos fundadores dos aplicativos comprados pela rede social se mantêm no Facebook.

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