Denúncias de irregularidades averiguadas nas embaixadas

O ministro Manuel Augusto anunciou ontem, em Luanda, que o Ministério das Relações Exteriores accionou mecanismos competentes, em particular a Inspecção Geral da instituição, para aferir a veracidade de denúncias sobre alegada gestão danoso nos serviços de algumas embaixadas e consulados angolanos.

Manuel Augusto, que falava na cerimónia em que conferiu posse aos novos membros do aparelho de direcção da instituição, esclareceu que o Ministério não se deixa pressionar pelas denúncias públicas, sobretudo nas redes sociais. “Isso não significa que não estejamos atentos a isso”, declarou.
O ministro disse que há também factos que chegaram ao conhecimento da instituição por via de actividades levadas a cabo pela Inspecção-Geral do Estado determinadas pelo Presidente da República, com base em denúncias públicas, informações de grupos de comunidades no exterior ou ainda de outros organismos de controlo, como o Tribunal de Contas.

“Há aqui uma combinação de vários factores que nos levam a tomar as medidas que se impõe sobre isso”, afirmou o ministro das Relações Exteriores. Manuel Augusto, tendo acrescentado que outros processos de inspecção estão em curso a nível de consulados e embaixadas.
“Quando assumimos a pasta, mesmo tendo conhecimento de alguns factos que nos pareciam anormais, privilegiamos o diálogo com os chefes de missões diplomáticas e com instituições do Estado, para que houvesse um olhar mais amplo sobre muitas coisas que aconteceram nas embaixadas e consulados. Infelizmente, em alguns casos, a postura de diálogo foi mal interpretada, pois algumas práticas continuaram e, naturalmente, tínhamos que por um fim”, disse.

O ministro disse que o desafio da instituição é recuperar a credibilidade e reconquistar o respeito de outras instituições, em particular, e dos cidadãos, em geral. Manuel Augusto disse que o objectivo é combater práticas negativas e o dar tolerância zero a estas práticas.
O ministro lamentou que ainda existam na instituição “muitos casos de práticas pouco recomendáveis e com prejuízos, não apenas para o erário, mas também para o funcionamento das estruturas da instituição”.

Manuel Augusto disse que a movimentação de quadros, em particular nos órgãos de direcção, visa fazer a separação entre o grupo de diplomatas, substituídos por conta de práticas de gestão ruinosa, e o grupo de  responsáveis que estão a ser movimentados no âmbito do término da sua comissão de serviço.

Manuel Augusto indicou que o Ministério das Relações Exteriores tem recuperado o seu lugar no conjunto da máquina administrativa e política do país, fruto do empenho da maioria dos seus agentes.
“Podemos sentir a reacção do corpo diplomático acreditado em Angola que, sempre que podem, manifestam a sua apreciação positiva sobre as reformas e os esforços que estão a ser feitos”, disse.

“Temos que estar alinhados com o futuro, particularmente, com um país que conhece mudanças a nível global , mudanças políticas e de mentalidades, pois queremos estar na linha de frente deste movimento que levará Angola para o lugar que merece”, disse.

Academia Diplomática
O ministro indicou que a futura Academia Diplomática, em construção em Luanda, vai dar oportunidade antigos diplomatas para seguir a docência ou a investigação.
“Teremos condições materiais para que essas capacidades possam continuar a estar ao serviço do sector e da política externa, para que possamos ter uma plataforma de transmissão de conhecimento para gerações vindouras”, disse.

Ontem, tomaram posse o embaixador Afonso Evaristo Eduardo, para o cargo de director-geral do Protocolo do Estado, ministro conselheiro António Coelho Ramos da Cruz, para o cargo de director dos Assuntos Jurídicos, Tratados e Contencioso, a conselheira Ana Paula Sebastião do Nascimento, para o cargo de directora de Recursos Humanos, e o ministro conselheiro João Alberto da Silva Gaspar, para o cargo de director do Gabinete de Tecnologias de Informação.

Foram empossados ainda o conselheiro Miguel César Domingos Bembe, para o cargo de director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatísticas, Estêvão Umba Alberto, para desempenhar o cargo de director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, bem como o terceiro secretário José Miguel da Silva, para exercer a função de chefe do Departamento de Administração e Gestão do Orçamento da Secretaria-Geral.

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