“Estado de graça” de João Lourenço está a chegar ao fim, diz consultora

"A apregoada posição anticorrupção é sobretudo uma tentativa de consolidar o poder total sobre as instituições políticas angolanas"

“Embora as perspectivas económicas sejam mais luminosas do que há um ano, o novo governo do Presidente João Lourenço tenta obter milhares de milhões sobretudo em financiamento dos bancos chineses para expandir infraestruturas e manter o desastroso estado das finanças estatais a flutuar”, considera a consultora EXX Africa (EXXAfrica.com) no seu mais recente relatório sobre as perspectivas de risco em Angola. A consultora acentua que “exactamente quando os receios quanto à sustentabilidade da dívida angolana estavam a acalmar, o governo contraiu mais uma importante dívida com a China”, considerando ser este é “um presságio ameaçador para o pagamento de dívidas aos empreiteiros estrangeiros e até para a capacidade de Angola de pagar as suas mais recentes Eurobonds”.

“O aumento dos preços da alimentação, greves frequentes e cortes no setor público estão a desencadear protestos e aumentar o risco de motim nas cidades angolanas. Se o governo de Lourenço não se comprometer em breve com uma ampla reforma do sector petrolífero e com uma gestão orçamental prudente, as perspectivas de investimento para Angola deverão deteriorar-se acentuadamente com os investidores a perderem fé na administração económica de João Lourenço”.

O optimismo, quer interno quer externo tem marcado a percepção do público e dos investidores desde que João Lourenço chegou ao poder há um ano. As medidas tomadas e anunciadas suscitou mesmo um novo interesse dos investidores em Angola. Todavia, para a consultora “há indícios crescentes” de que o período a que chama de “lua de mel” do governo esteja a chegar ao fim, “com os investidores a ficarem preocupados quanto ao enraizamento da corrupção e à persistência da fraqueza da economia”.

De facto, adianta o relatório, “a apregoada posição anticorrupção do presidente João Lourenço é mais indicativa de tentativas concertadas para desmantelar as influências do seu antecessor e consolidar o poder total sobre as instituições políticas angolanas do que de quaisquer tentativas de reforma. Isto permanece evidente no sector do petróleo, onde o governo se tem mostrado relutante em pôr em práticas reformas muito necessárias. O clientelismo enraizado e estruturas de obtenção de rendas estão estabelecidos na empresa petrolífera estatal, Sonangol, facilitando o suborno ao mais alto nível da administração.

João Lourenço também nomeou pessoas proeminentes manchadas por alegações de corrupção e de má gestão para importantes cargos governamentais. As acusações contra o antigo vice-presidente, Manuel Vicente, que controla agora o banco central de Angola e a Sonangol, podem ser retomadas assim que um novo governo tomar posse em Portugal ou que o sentimento político nos EUA assuma uma direcção diferente.

Por outro lado, acrescenta ainda a EXX Africa, “é provável que os recentes cancelamentos de contratos para importantes projectos de infraestruturas, oficialmente aclamados como parte de uma via de transparência, sejam motivados por um desejo de procurar novas receitas dos investidores estrangeiros que participam nestes projectos. Projectos de ‘elefante branco’, como o novo aeroporto de Angola, estão a afectar a imagem de João Lourenço como presidente reformista e transparente”.

Baixe o relatório: https://bit.ly/2Ll0j3X

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