Grupos empresariais nacionais lideram processo de revitalização da indústria têxtil

Mahinajethu Nova Textang II e Alassala, assim se designam grupos empresariais que, entre outras personalidades e instituições, reúnem os cidadãos nacionais Joaquim David, Matos Cardoso e Luís Faceira. Seriam apenas mais algumas empresas, não fosse um substancial pormenor: estes grupos receberam, do Executivo angolano, um projecto globalmente avaliado em Mil e 200 Milhões de Dólares, cujos resultados esperam-se multiplicadores, no sentido positivo, para a criação de empregos, de uma maneira geral, para a revitalização de três importantes indústrias têxteis, em particular.

A concessão do projecto à gestão destes grupos liderados pelos empresários mencionados, não apenas constitui um sinal de confiança, como, sobretudo, representa a confirmação da capacidade empresarial do trio que a lidera. Trata-se, pois, de um projecto de elevada envergadura e complexidade, cuja implementação exige conhecimento técnico e, acima de tudo, um sentido apurado de gestão.

Por vários meses, anos até, uma corrente contrária foi inviabilizando a revitalização do sector, atrasando a criação de um número elevado de empregos, roubando, a muitas famílias angolanas, a garantia de um sustento digno.

O Ministério da Indústria, nomeadamente a sua titular, assim como o seu homólogo das Finanças, viram os seus entendimentos sobre a matéria amplamente questionados, em plena reunião do Conselho de Ministros, quando, recorrendo ao pragmatismo que lhe é característico, o Presidente da República, João Lourenço, reafirmou, afinal, aquilo que é mais lógico: “sendo esses os promotores que asseguraram a construção das fábricas deviam ter o direito à gestão das mesmas”.

Este foi, digamos, um autêntico soco no estômago de quem, nos tempos de outra senhora, não se coibiu de encetar iniciativas para transferir a gestão do sector têxtil angolano em benefício de quem não só entendia patavina como, como agravante, não esteve sequer envolvido na promoção do investimento através do qual foram reabilitadas e apetrechadas as fábricas. Faziam-no, ao abrigo de absoluto despudor, ao ponto de ter havido mesmo um despacho da Ministra da Indústria, Bernarda Martins, a determinar o encerramento, puro e simples, das fábricas sem qualquer preocupação com as consequências daí advindas, para a força de trabalho, para a dimensão dos investimentos realizados.

Ficou claro, em boa verdade, a intenção escondida de passar a gestão das fábricas, e de todo o negócio envolvente, a uma personalidade próxima do então poder dominante, nomeadamente, à empresária Isabel dos Santos, filha do anterior Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Mais grave do que isso, foi a intenção, velada mas revelada, do Ministro das Finanças, Archer Mangueira, de atribuir o controlo e gestão das três unidades industriais abrangidas no processo a um grupo de empresários estrangeiros de sua conveniência.

Felizmente, quem agora está no leme do País, não cai nestas cantigas, digamos de passagem, altamente lesivas aos interesses angolanos. João Manuel Gonçalves Lourenço decidiu, contra toda a pressão de coadjutores seus, confiar as três unidades aos grupos liderados por cidadãos nacionais, com bastantes créditos dados em matéria de gestão empresarial.

Durante muito tempo, houve gente que procurou sustentar-se, nos cargos que ocupavam, através da obediência cega e de práticas de adulação, sem levarem em conta a competência técnica e a eficiência da gestão. Isso levou à perseguição e o ostracismo de quadros capazes, com capacidade para contribuírem para o desenvolvimento do País. Muitos mostraram-se resistentes, sendo de destacar, entre outros, os exemplos de Edeltrudes Costa, hoje Ministro e Director do Gabinete do Presidente da República, ou de Carlos Alberto Lopes, actual Presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola. José de Lima Massano, Governador do Banco Nacional de Angola e António Henriques da Silva, Presidente do Conselho de Administração da Zona Económica Especial, são apenas mais alguns dos muitos exemplos.

Fica cada vez mais evidente que a actual governação do País, encabeçada por João Manuel Gonçalves Lourenço, abomina as práticas anteriores que, muitas vezes, privilegiavam a intriga e a perseguição puras, em verdadeiro desprimor pela competência. Começa a verificar-se uma aposta no mérito, o que, por si só, vai permitir que os talentos se multipliquem e que sejam colocados nos lugares adequados, contribuindo, assim, e em pleno, para o desenvolvimento do País. Em 11 meses, a actual gestão do País, não fez tudo, é claro, mas está, de facto, a criar as bases para que o desenvolvimento não seja apenas mais uma miragem.

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