Influência do FMI volta a aumentar em África

Programas no continente atingiram cerca de seis mil milhões de euros até final de 2017 – quatro vezes mais que em 2014. Angola e Moçambique estão entre os financiados. Para economista, commodities são “eterno” problema.

Recentemente, em Agosto, o Presidente angolano João Lourenço buscou apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) para implementação de reformas económicas, além de empréstimos. Nove outros países africanos estão a usar fundos do FMI, entre eles Moçambique, Gana e o Congo-Brazaville. Mas recorrer ao referido fundo parece não combater a “raiz” dos problemas económicos no continente africano.

O filme não é novo. Nos anos 80 e 90, países africanos ameaçaram falhar com os pagamentos ao FMI que os ajudou com empréstimos emergências. Os empréstimos vieram sob certas condições. O FMI e a sua organização irmã, o Banco Mundial, exigiram duras reformas económicas e políticas dos países beneficiários.

O pacote de reformas conhecido como “Consenso de Washington” incluiu a remoção de subsídios para a agricultura e a indústria, a redução de impostos, a privatização de empresas estatais, além de uma política de livre comércio.

Mas em vez de proporcionar a recuperação económica esperada, as reformas pioraram os problemas económicos dos países receptores de crédito, critica Rainer Thiele, especialista em África no Instituto para a Economia Mundial da Universidade de Kiel, na Alemanha.

“A conclusão é: os programas de ajuste não foram bem-sucedidos. A maioria dos países conseguiu lidar apenas no curto prazo com os seus problemas de pagamento. Entretanto, eles não se adaptaram estruturalmente para aumentar a produtividade e o crescimento em longo prazo,” afirma Thiele.

Commodities, problema sem fim

Diferente do passado, atualmente o FMI e o Banco Mundial não são mais os únicos potenciais credores para os governos africanos, que podem beneficiar-se com dinheiro nos mercados de capitais. E a ascensão da China como grande investidor alterou a situação financeira em África, defende o economista senegalês Ndongo Sylla.

“A chegada da China trouxe novas oportunidades de financiamento para os países africanos. O país asiático oferece possibilidades de ‘se escapar’, em alguns casos, se assim posso dizer, do FMI e do Banco Mundial. A China não exige condições e, além disso, precisa de negócios, recursos naturais, mercados e assim por diante,” explica o economista.

Mas o “eterno” problema é a especialização das economias africanas em recursos naturais. “Países africanos estão endividados porque continuam ‘periféricos’. Eles exportam maioritariamente commodities para outros países e importam todo o resto, ou seja, produtos industriais, serviços e assim por diante,” avalia Sylla.

Tal como nas décadas de 80 e 90, a actual crise deveu-se à queda dos preços de commodities – como petróleo, cacau ou diamantes – e à elevação das taxas de juros sobre os empréstimos externos.

Angola é um bom exemplo de que os empréstimos chineses baseados em concessões de commodities não são uma solução. Especialistas estimam que – todos apoiados pelas receitas do petróleo.

E, de acordo com um relatório do periódico inglês “Financial Times”, esta possibilidade está agora esgotada – uma vez que o pagamento dos empréstimos com petróleo já está previsto em excesso.

Segundo o economista Ndongo Sylla, para enfrentar seriamente o problema da dívida, ter-se-ia que dar a África a oportunidade de desenvolver sua agricultura e indústria e, além disso, o continente não deveria “aceitar a agenda do ‘livre comércio’, avançada pelo FMI, pela Organização Mundial do Comércio e, portanto, também pela Comissão Europeia por meio de acordos de parceria económica”.

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