Isabel dos Santos quer economia angolana a crescer a “dois dígitos”

Isabel dos Santos quer a economia angolana a crescer acima de 10% ao ano depois da contracção de 0,8% registada em 2016.

A empresária angolana escreveu no Twitter que “a questão é como fazer com que a economia cresça novamente à taxa de dois dígitos”, sem referir qual a sua receita. Mas, no mesmo tweet, defendeu o legado do seu pai, José Eduardo dos Santos, que foi presidente de Angola entre 1979 e 2017, ano em que a economia cresceu 0,7%.

Num momento em que Angola está a negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um programa de assistência técnica e financeiro, a ex-presidente da Sonangol, que foi afastada pelo actual presidente angolano, apelou no Twitter a que se criem condições para que o país volte a crescer a passos largos. E deu o exemplo dos últimos anos do legado do seu pai.

“De 2002 a 2017, país saiu de um PIB de 12,5 mil milhões de dólares para 126 mil milhões de dólares”, escreveu, referindo que, considerando os dados, “Angola cresceu 908% em 15 anos”. 2002 foi o ano em que terminou oficialmente a Guerra Civil Angolana. No dia 4 de Abril desse ano o Governo do MPLA assinou um acordo de paz com a UNITA.

Segundo os números do Banco Mundial, em 2017 o tamanho da economia angolana era de 124 mil milhões de euros. O pico de 126 mil milhões de dólares foi atingido em 2014, mas nos anos seguintes a desvalorização da moeda e a contracção da economia encolheram o PIB.

“O PIB per capita, mesmo com a duplicação da população cresceu 609%”, acrescentou ainda a empresária angolana.

Os tweets de Isabel dos Santos relacionados com a actualidade angolana têm sido frequentes desde que João Lourenço tomou posse. No mais recente, a empresária já questionava a estratégia do actual Governo num momento em que o petróleo negoceia perto dos 80 dólares. Apesar desta alta nos preços da matéria-prima, “continuamos mergulhados numa profunda crise económica”, escreveu. Angola é um dos maiores produtores de petróleo de África, mas a redução das receitas petrolíferas mergulhou o país numa crise económica, financeira e cambial.

Em Junho lamentou a falta de atractividade externa de Angola, pela dificuldade em repatriar dividendos. João Lourenço respondeu na altura, lamentando que Isabel dos Santos “desencoraje investimento para o seu próprio país”.

Os economistas consultados pela Bloomberg estimam que a economia angolana cresça 2,1% este ano, acelerando para 2,5% em 2019. Já os analistas da consultora FocusEconomics estimam um crescimento de 1,9% em 2018 e 2,3% em 2019.

O empréstimo que Angola vai pedir ao FMI totaliza 3,9 mil milhões de euros, repartido por três tranches de 1,3 mil milhões. O objectivo da ajuda do Fundo é não só ajustar as contas do país, mas também aumentar a credibilidade de Angola.

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