Jornalistas mortos na República Centro-Africana foram vítimas de ladrões

Os três jornalistas russos assassinados na República Centro-Africana (RCA), em 31 de Julho, foram vítimas de ladrões, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, divulgado hoje.

O repórter de guerra Orkhan Djemal, o documentarista Alexandre Rastorgouiev e o operador de câmara Kirill Radtchenko “foram atacados por pessoas não identificadas, que tinham por objetivo roubá-los e que os mataram quando tentaram resistir”, indicou o Ministério, no seu comunicado, citando a porta-voz Maria Zakharova.

O Ministério especificou que esta informação se baseava nos primeiros resultados do inquérito na RCA.

Aqueles jornalistas estavam a investigar a presença na República Centro-Africana de mercenários russos da empresa Wagner, que se destacou na Síria, por conta do Centro de Gestão de Investigações (CGI), um projeto lançado pelo opositor russo exilado Mikhail Khodorkovski.

Andrei Konyakhin, o editor-chefe do Centro de Gestão de Investigações, avançou que os jornalistas estavam a tentar obter informação sobre a Wagener e também sobre os interesses russos na mineração de diamantes, ouro e urânio neste país africano.

Em Março, Moscovo anunciou que tinha enviado cinco oficiais e 170 instrutores para a RCA, que, segundo analistas, poderiam pertencer à Wagner.

Desde o início de 2018 que a Federação Russa, além dos instrutores, também fornece armas para o exército da RCA e garante a segurança do Presidente, Faustin-Archange Touadéra, cujo conselheiro de segurança é também um russo.

Moscovo nunca reconheceu oficialmente o papel da Wagner nos conflitos, nem as perdas sofridas pelos seus combatentes.

Ruslan Leviev, que lidera um grupo de jornalistas de investigação na Federação Russa, designado Grupo de Informações de Conflito, afirmou que aquela empresa também tem estado ativa na Síria, no leste da Ucrânia e no Sudão.

A empresa está ligada a Yevgeny Prigozhin, um empresário de São Petersburgo também conhecido como o ‘chef’ de Putin, pelas suas estreitas ligações com o Kremlin.

A Wagner foi criada pelo antigo oficial do GRU (serviço de informações militar) Dmitri Outkine, que tinha integrado um primeiro grupo de mercenários enviado para a Síria em 2013. A partir de junho de 2014, participa em combates no leste da Ucrânia com os separatistas pró russos, segundo a imprensa e os serviços de informações ucranianos.

Em Fevereiro, Ruslan Leviev, que investiga desde 2014 a cara oculta das campanhas militares russas, declarou à agência Efe que o grupo Wagner “é na realidade uma unidade criada e financiada pelo Governo russo”.

Prigozhin, identificado como o principal financiador da Wagner, fez fortuna no setor da restauração, antes dos contratos que estabeleceu com o Exército e vários serviços da administração de Moscovo.

Actualmente, é apontado pela Justiça dos Estados Unidos pelas alegadas ligações às empresas tecnológicas envolvidas nas supostas operações informáticas através da internet que beneficiaram a candidatura de Donald Trump nas eleições para a presidência norte-americana, em 2016.

O analista militar Pavel Felguenhauer considerou que, na RCA, “a Rússia não tem interesses geopolíticos” e que “a Wagner procura provavelmente ganhar dinheiro”.

As agências avançam também o nome de outra empresa privada, a Sewa Security Services, criada em Bangui, em 07 de Novembro de 2017, que seria a contratante dos mercenários russos.

Gerida por um dirigente do Ministério da Defesa russo, esta empresa seria ainda usada para proteger a sociedade mineira Lobaye Invest, criada em 25 de Outubro em 2017, também na capital centro-africana, e que já tem concessões mineiras atribuídas, segundo uma fonte diplomática.

A Lobaye Invest pertence a Evgueni Khodotov, que também dirige a M-Finance, a qual tem por actividade principal “a extracção de pedras preciosas”.

Vários investigadores de atividades militares e mercenários russos no estrangeiro indicam que o perfil da M-Finance é similar ao da Evro-Polis, uma sociedade de reúne actividades petrolíferas e de mercenários na Síria.

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