Lucros da banca angolana cairam 6%

Apesar de o activo total do sector ter crescido 3%, os resultados líquidos da banca recuaram 6% em 2017 em relação ao ano anterior, indica o estudo anual da Deloitte

O total do resultado líquido do sector bancário nacional registou, em 2017, um decréscimo de 6% em relação ao ano anterior, passando para os 158.910 milhões de kwanzas, de acordo com o estudo anual, apresentado hoje, que a consultora global Deloitte realiza sobre o sector. O valor total dos activos das instituições financeiras incluídas na 13ª edição do Banca em Análise da consultora global Deloitte ascendeu a 10.129.800 milhões de kwanzas, em 2017, o que correspondeu a um crescimento de 3% face a 2016.

Na posição relativa entre os cinco maiores bancos a operar em Angola, o BPC continuou a liderar, com um activo total de 1.855.500 milhões de AKZ, seguido pelo BFA, BAI, ATL e BIC. Os cinco maiores bancos representaram cerca de 67% do total do activo do sector bancário e o seu activo registou um aumento de cerca de 4% face ao ano anterior.

“Desde a publicação da 1ª edição do Banca em Análise que constatamos que o sector bancário nacional tem observado um progressivo nível de desenvolvimento e grau de sofisticação, fruto da inovação e da qualidade dos produtos oferecidos aos consumidores, os quais são cada vez mais exigentes num sector de elevada concorrência. De assinalar que o aumento dos níveis de literacia financeira da população em Angola tem potenciado a qualidade dos serviços disponibilizados pelos bancos. Assim, o sistema financeiro tem assumido um papel fulcral na economia do país, funcionando como força motora para o desenvolvimento sustentado e transversal à sociedade e economia”, salienta Duarte Galhardas, Presidente da Deloitte Angola.

José Barata, sócio e líder do Sector Financeiro da Deloitte Angola, refere que “no âmbito da actividade bancária, assistimos em 2017 a uma trajectória mista no comportamento dos
principais indicadores do sector. Observou-se um aumento global do total dos activos e dos capitais próprios dos bancos, no entanto o crédito líquido concedido a clientes, o produto bancário e os resultados líquidos dos bancos registaram um decréscimo.”

“Neste período é ainda de destacar a conclusão do processo de adopção plena das Normas Internacionais de Contabilidade e de Relato Financeiro (IAS/ IFRS), uma medida muito relevante para o alinhamento dos bancos nacionais com as melhores práticas internacionais a nível de referencial contabilístico”, conclui.

Segundo o estudo, em 2017 o peso dos depósitos em moeda nacional manteve a sua tendência de crescimento em detrimento da moeda estrangeira, passando a representar 69% dos depósitos totais. O valor total dos depósitos de clientes no sector bancário foi de 7.013 mil milhões de AKZ nesse mesmo ano, o que representa uma redução de 0,2% face a 2016.

O total de crédito líquido a clientes registou uma diminuição em relação ao ano anterior. Considerando os bancos analisados, o total de crédito líquido ascendeu a 3.136.303 milhões de kwanzas, o que corresponde a uma redução de 3% face ao ano de 2016, com o BPC, o ATL, o BAI, o BIC e o BFA a liderarem na concessão de crédito. No que se refere ao rácio de crédito vencido, e de acordo com as demonstrações financeiras em análise, registou-se um aumento significativo para os 40,2%, em 2017, sendo que em 2016 foi de cerca de 13%.

Outros resultados relevantes da 13ª edição do Banca em Análise:

• Meios electrónicos de pagamento mantêm tendência crescente – O número de Cartões Multicaixa Activos2 aumentou para 4,2 milhões em 2017, face aos 3,6 milhões, em 2016, enquanto os Cartões Multicaixa Válidos3 aumentaram para 5,9 milhões, em 2017, face aos 4,6 milhões, em 2016.

• Reforço da rede de terminais de pagamentos – O número de Caixas Automáticas (ATM) e Terminais de Pagamento Automático (TPA) registou um crescimento de 4% e 14%, respectivamente. O número de ATM aumentou para 3.026, em 2017, face aos 2.911, em 2016, e o número de TPA cresceu para 77.244 terminais, em 2017, face aos 67.496, em 2016.

• Número de transacções atinge novo recorde – Em 2017, o número de transacções registou um crescimento global de 24%, face a 2016, tendo as transacções realizadas em ATM aumentado 21% e as transacções efectuadas em TPA quase 35%.

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