Manuel Vicente sai da política, mas ganha influência económica junto de João Lourenço

João Lourenço, ao efectuar alterações de fundo no Bureau Político do MPLA obteve as "condições para o controlo efectivo da cúpula partidária"

Manuel Vicente, vice-Presidente da República durante a última fase do consulado de José Eduardo dos Santos e ex-presidente da Sonangol, está a “assumir ascendente em relação à presidência em assuntos económicos, em particular petrolíferos”, , refere o último Africa Monitor Intelligence, datado de 13 de Setembro, a que o Notícias na Hora teve acesso. Manuel Vicente é visto como uma personalidade que sempre demonstrou pouco apetência pelo jogo político, tendo sido afastado do Bureau Político, tendo o seu distanciamento em relação ao partido entendido por João Lourenço como desejável.

Para o Africa Monitor Intelligence, João Lourenço, ao efectuar alterações de fundo no Bureau Político do MPLA, designadamente ao afastar destacados membros do partido no governo, obteve as “condições para o seu controlo efectivo da cúpula partidária”.

O caso de Manuel Vicente,  e ex-presidente da Sonangol é exemplar. , tem vindo, refere o texto do Africa  Monitor Intelligence,, o que é “entendido como resultando de comum acordo”.

O texto assinala a limpeza efectuada no Bureau Político de certas figuras demasiado ligadas a José Eduardo dos Santos ou associados a negócios menos transparentes ou mesmo a actos de corrupção, como é o caso do Higino Carneiro, afastado da direcção do partido ou mesmo do grupo parlamentar, “detentor de fortuna considerável e sob investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Adianta-se que “é admitido por fontes próximas o levantamento a curto prazo da
imunidade parlamentar de que actualmente beneficia”.

É também o caso de Manuel Rabelais, ex-ministro da Comunicação Social, “associado à família dos Santos
na empresa Semba” e que se encontra “sob investigação da PGR e passível de perda imunidade parlamentar”. Ou de Joana Lina afastada, de acordo com o Africa Monitor Intelligence, “de forma comprometedora”.

Para além do caso de Joana Lina, nomeada governadora do Huambo sem integrar o Bureau Político, cita-se o caso de Paulo Kassoma,  que sempre criticou abertamente os que defendiam uma saída imediata de José Eduardo dos Santos da liderança do partido no poder.

O texto salienta, para além da recuperação de  dirigentes de referência afastados por José Eduardo dos Santos, como Mário Pinto de Andrade, familiar de um dos fundadores do MPLA, a promoção de quadros jovens como João Baptista Borges, ministro da Energia e  Águas, Yolanda dos Santos, mulher do secretário de Estado Sérgio Santos e membro da Juventude do MPLA – JMPLA; Daniel Félix Neto, ex-JMPLA, novo governador da Lunda Sul; Maricel Marinho da Silva, vice-governadora do Huambo, nomeada para o BP – em sentido inverso ao ex-governador, o seu tio João Baptista Kussumua). Salienta-se, de igual modo, a nomeação para o Bureau Político de “empresários menos conotados com negócios do regime e sem histórico de militância (Luís Fonseca Nunes, da construtora Omatapalo, oriundo de uma família tradicional ligada à agricultura, posteriormente nomeado Governador da Huíla, substituindo João Tyipinge, contestado pela comunidade de fazendeiros locais; Manuel “Nelito” Monteiro, membro do Conselho de República e empresário agrícola ligado à fundação do Banco Pungo Andongo, mais tarde vendido a José Filomeno “Zenu” dos Santos, e actualmente em processo de falência”.

Para o Africa Monitor Intelligence o arrastamento da crise económica e financeira, as medidas de austeridade a introduzir através do programa em negociação com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a necessidade de apresentação de resultados do discurso anticorrupção, assim como a capacidade de os tribunais e a alta magistratura funcionarem de forma autónoma, e de a PGR apresentar resultados concretos das investigações desencadeadas, são factores que, segundo o Africa Monitor Intelligence, colocarão à prova a coesão partidária a curto prazo.

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