Morte nas regiões diamantíferas

Um sacerdote católico confirma a existência de casos de mortes nas zonas de garimpo das Lundas. O fenómeno é real, mas as autoridades, locais e centrais, procuram iludi-lo com silêncio e indiferença.

As regiões diamantíferas das Lundas Norte e Sul continuam a ser palco de morte e de perseguição a indivíduos que praticam o garimpo – actividade informal e geralmente artesanal de exploração de diamantes, a que se entregam sobretudo quer as populações nativas como as que provêm de outras zonas do país e que procuram melhorar a vida com a extracção e venda das pedras preciosas.

O padre da Sé Catedral da Nossa Senhora da Conceição na Lunda-Norte, António Macoco Muyamba, por exemplo, é um dos que confirmam a existência recorrente de inúmeros casos de mortes, indicando localidades concretas em que tal se tem verificado, como as comunidades de Xá-Muteba, Cuango e Cafunfo. O sacerdote católico prestou tais informações à margem da 3ª Conferência Nacional sobre os Recursos Naturais em Angola “Tchota-Angola 2018“.

De acordo com António Muyamba, a Igreja tem recebido muitas queixas de familiares de jovens que estavam envolvidos no garimpo e que supostamente foram mortos por seguranças de empresas não identificadas. O clérigo condena liminarmente a situação e diz que a morte indiscriminada de jovens garimpeiros está longe de ser a solução para o problema da extracção e venda ilegal de diamantes, quanto mais não seja porque é consabido que as próprias empresas licenciadas para a actividade têm explorado estes jovens como mão de obra barata.

Muyamba denuncia, por outro lado, que a questão de fundo está na pobreza das famílias e na falta de emprego a que está votada a juventude nas zonas diamantíferas. “Eles deixam de estudar muito cedo para se dedicarem à ‘kamanga’, dada a falta de alternativas atractivas e dignas. E o resultado tem sido a disputa encarniçada por áreas que se supõe que tenham diamantes e que já tenham sido entregues pelo Estado a uma empresa para fins de exploração”, esclarece o prelado.

Ele informa, também, que as paróquias que trabalham directamente com as comunidades carenciadas recebem, semanalmente, relatos de óbitos nas famílias apenas por conta da problemática do garimpo, que continuará a fazer vítimas se o Governo não encontrar uma solução rapidamente.

“Como é que os jovens vão largar o garimpo se as poucas empresas que existem não investem em projectos sociais para estas comunidades, nem garantem emprego para elas, sabendo que fome e as dificuldades financeiras apertam?”, questiona o pároco que estranha a atitude de indiferença das autoridades, mas sobretudo o silêncio sepulcral da Procuradoria-Geral da República.

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