Saída de Eduardo dos Santos é “momento decisivo” na transição em Angola, disse investigador britânico

O investigador britânico Alex Vines considerou hoje que a saída do ex-Presidente angolano José Eduardo Dos Santos como presidente do MPLA é um momento decisivo para a transição política de Angola, nomeadamente para introduzir reformas políticas.

José Eduardo dos Santos encerrará oficialmente a sua vida política no sábado, no congresso extraordinário do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), quando será sucedido por João Lourenço, o único candidato e actual vice-presidente do partido e chefe de Estado angolano.

“A renúncia de José Eduardo Dos Santos como presidente do MPLA é um importante momento decisivo para a transição política de Angola. Tem sido uma transição com solavancos, mas muito mais suave do que no Zimbabué, por exemplo”, enfatizou, em declarações à agência Lusa, o director do programa sobre África do Instituto Real de Relações Internacionais, Chatham House.

As medidas “contra a alegada corrupção e ineficiência nas redes de empresas associadas à família Dos Santos” eram pedidas há muito tempo por muitos angolanos, garantiu Vines, mas Lourenço “surpreendeu muitos com o ritmo das suas reformas iniciais”.

O tempo do novo chefe do Estado no poder, que completa um ano em funções em 26 de Setembro, ficou marcado pelo esforço em restaurar a confiança das companhias petrolíferas internacionais no futuro da indústria a curto e médio prazo em Angola e na melhoria do ambiente social em termos de espaço democrático e liberdade de expressão.

Porém, disse o britânico, os desafios da “fase de consolidação” de Lourenço enquanto presidente do MPLA são introduzir reformas a longo prazo que tornem o país menos dependente do petróleo, criem empregos e tornem o MPLA apelativo perante um eleitorado cada vez mais exigente.

“Apoiar a diversificação da dependência económica ao petróleo e preparar as primeiras eleições municipais em Angola em 2020 são tarefas fundamentais. O MPLA também precisa mostrar que pode criar empregos enquanto se prepara para as eleições [gerais] em 2022, quando irá lutar por uma maioria melhorada do MPLA”, refere Vines, que tem experiência como observador de eleições em Angola e Moçambique ao serviço da ONU.

O investigador britânico em assuntos africanos considera que o MPLA “precisa também de se tornar mais responsável, prestar melhores serviços (saúde e educação em particular) e aproximar-se dos jovens, que constituem a maioria da população, cerca de 70%”.

A ascensão de João Lourenço à presidência do MPLA vai concentrar mais poder no chefe de Estado, levantando a questão se ele vai usar esta autoridade para reforçar a luta contra a corrupção que iniciou, ao afastar muitos correligionários do regime de José Eduardo dos Santos de postos importantes, como foi o filho mais velho, José Filomeno dos Santos, do Fundo Soberano Angolano, e a filha Isabel dos Santos da presidência do conselho de administração da Sonangol.

Para a história, porém, José Eduardo dos Santos deixa um legado que Vines destaca como tendo aspectos positivos, como o fim da guerra e o desenvolvimento do país.

“Não devemos esquecer que, sob o Governo de Eduardo dos Santos, a guerra civil angolana terminou e Angola tornou-se um país relevante. Ao contrário de outras situações pós-conflito, também houve um nível de reconciliação. Não parece haver perigo de regresso ao conflito nacional”, salientou.

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