Um acervo fundado por D. João VI há 200 anos e agora em cinzas

O crânio de Luzia, tido como o mais antigo fóssil humano das Américas, com mais de 11 mil anos, terá sido uma das peças mais valiosas consumidas pelo incêndio deste domingo no Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

Havia porém muitos mais tesouros, inclusive o edifício, o Palácio de São Cristóvão onde foi assinada a independência do Brasil e que chegou a ser residência do “Rei João VI, de Portugal, do Brasil e dos Algarves.”

Museu Nacional
200 ANOS DO MUSEU NACIONAL
Há 200 anos D. João VI fundava um museu que se tornaria o símbolo da história das ciências no país e que hoje é um dos maiores da América Latina em História Natural e Antropologia.

O mais antigo museu de história natural e antropológica da América Latina era um dos ex-líbris “cariocas”, mas o número de visitantes vinham a decair desde há cinco anos.

Dos mais de 275 mil de 2013 e 2014, no ano passado os visitantes do Museu Nacional passaram ligeiramente dos 180 mil e este ano, até Abril, não iam além dos 55 mil, embora com expectativa de um acentuado aumento após a celebração dos 200 anos do museu e uma prometida recuperação do edifício.

A história do museu começa em 1818 quando D. João VI o inaugurou num outro local do Rio de Janeiro.

O acervo da antiga Casa de História Natural do Brasil viria a mudar-se para o Palácio de São Cristóvão no final do século XIX.

Nas mãos da Universidade Federal do Rio de Janeiro há sete décadas, o agora Museu Nacional do Brasil atravessava um período polémico.

O palácio estava decadente e faltavam meios de prevenção de acidentes. O restauro e a modernização do edifício eram urgentes, mas os sucessivos cortes nos apoios públicos e o desvio do investimento para o novo Museu do Amanhã “condenaram” o museu do passado.

Dos 110 mil euros de apoio estatal de 2013, o jornal Folha de São Paulo dava conta em maio de que no ano passado o Museu Nacional terá recebido apenas 72 mil euros. E este ano, até Abril, teria recebido apenas 11 mil.

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