Um ano de João Lourenço: A análise dos especialistas

No seu primeiro ano de governação o Presidente João Lourenço teve “algumas atitudes corajosas que têm agora que ser seguidas de actos práticos”, disse o jurista Fernando Monteiro Kawewe.

Por seu turno o economista Yuri Kixina diz que o governo tem ainda que adoptar políticas económicas que tenham efeitos práticos na vida dos angolanos enquanto o politólogo Agostinho Sikato disse que João Lourenço criou uma maior abertura para o diálogo político pondo fim “á caça ás bruxas” de críticos do governo.

No seu primeiro mandato como Presidente da República, João Lourenço teve iniciativas de agenda que surpreenderam até as vozes mais cépticas do próprio partido que sustenta o governo, como aquela que o levou a visitar o Hospital Sanatório de Luanda, a criar uma equipa de trabalho para pôr fim aos monopólios, passando pela exoneração de Isabel dos Santos do cargo de Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, a filha do ex-presidente da república, e ao afastamento das chefias militares das Forças Armadas e dos serviços secretos que tinham sido reconduzidos semanas antes do ex-Presidente ter abandonado o poder.

Contudo, o programa de estabilização macroeconómica, aprovado o ano passado, criou algumas expectativas, mas os resultados deste programa ainda não se têm reflectido na vida dos angolanos.

O economista Yuri Kixina, considera que do ponto de vista macroeconómico, o governo João Lourenço continua a ter o governo como o principal empregador, em detrimento do sector privado criando, deste modo, condições para que o desemprego no país continue a registar níveis preocupantes.

“ A única forma de se conseguir emprego é inscrever-se nos concursos públicos para entrar no estado”, disse Kixina que avisou que o cenário de desemprego “não vai reduzir muito a curto prazo”.

O economista lembrou que a segunda maior despesa do estado a seguir ao pagamento de juros de dívidas são os salários dos funcionários. “Temos um estado empresário (porque) temos um capitalismo de estado, de compadrio”, disse.

Já o politólogo Agostinho Sigato disse que João Lourenço na generalidade conta com o apoio da população ao “modelo de governação” que adoptou.

“Houve mudanças em determinados aspectos, principalmente no discurso, no modelo de pensar”, disse.

“Transformou algumas práticas em práticas ilegais, quebrou a famosa impunidade”, disse afirmando que aqueles que usufruíam de práticas duvidosas sabem que têm que ter cuidado. Por outro lado disse ter acabado “a caça as bruxas como acontecia anteriormente” criando “um espaço mais abrangente de debate”.

Nos meios de comunicação social já se pode abordar temas que eram tabu “ e isso é uma mudança substancial”.

“Mesmo o próprio cidadão já pode falar confiante que ninguém o vai procurar a casa”, acrescentou.

O jurista Fernando Monteiro Kawewe disse que no seu primeiro mandato João Lourenço “criou expectativas um presidente para todos os angolanos de uma governação participativa e inclusiva”.

Contudo fez notar que a nível do aparelho de estado os antigo dirigentes foram quase todos reconduzidos ou mantiveram-se nos seus postos e “isto criou um mal estar entre os angolanos que acreditaram na mensagem de João Lourenço durante a campanha”.

“Houve algumas atitude corajosas que têm que ser seguidas de actos práticos”, disse afirmando ser necessário “responsabilizar aqueles que aniquilaram a económica angolana com roubo, saques, branqueamento de capitais”.

Essas pessoas, disse “são visíveis são conhecidos”.O jurista disse contudo que para mudanças no país “é preciso tempo, meios e comunicação”.

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